domingo, 6 de junho de 2010

Professores criticam burocracia e falta de condições de estruturas das escolas

Professores criticam burocracia e falta de estrutura nas escolas

Enquanto uns não têm tempo de preencher dezenas de diários de classe, outros precisam levar o próprio material para dar aula 


          Paulo Alexandre é obrigado a preencher 19 diários de classe
"Ser professor sempre foi encarado como um sacerdócio, aquela pessoa desprendida. Esse tipo de pensamento facilitou muito a nossa degradação". O desabafo do professor de história Paulo Alexandre, 35 anos, revela o descontentamento que muitos docentes sentem com relação à profissão. Além da desvalorização em termos salariais, muitos se queixam da falta de estrutura na escola, da indisciplina dos alunos e do excesso de burocracia nas escolas. Esses desestímulos, afirma o professor, vão deixar as salas de aula sem mestre: "Somos aqueles que estão colocando tijolo por tijolo na base do desenvolvimento de uma sociedade. Infelizmente, podem faltar pedreiros um dia".
Paulo Alexandre, que abandonou administração para cursar história, graduação que não teve coragem de fazer inicialmente pelo pouco retorno financeiro, ensina numa das 160 escolas consideradas modelo, os chamados Centros de Referência em Ensino Médio de Pernambuco. Com muros pintados, salas limpas, jardim bem cuidado e laboratório de informática climatizado, essa "ilha da fantasia", nas palavras dele - porque não representa a realidade das demais unidades públicas -, é a Escola Estadual Professor Trajano de Mendonça, em Jardim São Paulo, Zona Oeste do Recife.
Apesar da excelente estrutura de trabalho, as atividades do professor esbarram na burocracia. Ele ensina três disciplinas - história, sociologia e filosofia - em seis turmas de 1º ano e história numa turma de 3º ano, ou seja, são 19 diários de classe que ele é obrigado a preencher. "Trabalhamos com uma caderneta que nos toma um tempo que é precioso para elaborar nosso trabalho e nós trabalhamos basicamente para preencher burocracias. Temos fiscais nos cobrando um diário de classe preenchido, mas não tem ninguém nos cobrando uma boa qualidade de aula", reclama o professor que, em época de prova, precisa corrigir mais de 700 testes em uma semana.

Assim como Paulo Alexandre, a professora de geografia Maria Albênia de Souza, 51,  também sofre com esses relatórios diários, mas reclama, principalmente, da relação distante com os gestores. Ela ensina 24 turmas de 6ª série ao 1º ano e EJA (Educação de Jovens e Adultos) na Escola Estadual Santa Sofia e na Escola Estadual Torquato de Castro, ambas em Camaragibe.
"Somos cobrados diariamente, mas em momento nenhum alguém chega para perguntar sobre nossa satisfação em relação ao trabalho, se a sala está cheia, se os alunos estão incomodados com o calor, com a água da chuva que entra", afirma.
O professor de história vai mais além: "Nós não somos ouvidos no processo de planejar a educação em termos macro, de programa geral de desenvolvimento do Estado. Infelizmente, um certo grupo de burocratas dirige a educação e o professor vira um mero executor de um programa que vem de cima para baixo".
O principal desafio da professora Albênia, porém, não é a burocracia. Ao contrário de Paulo Alexandre, ela não trabalha numa escola que é referência. A Torquato de Castro, em Aldeia, apresenta sérios problemas estruturais. A unidade foi criada no início de 2008 para absorver os alunos e professores que não foram inseridos na Escola Tito Pereira, já que essa passou a ser escola modelo exclusiva para o ensino médio.
Segundo a professora, o local era uma antiga fábrica de biscoito e foi reformado para abrigar a escola. "É um galpão, onde fizeram algumas reformas, as paredes são de gesso e vivem constantemente caindo. Um calor insuportável, porque, apesar de ser climatizado, são ventiladores e ar-condicionados antigos", reclama a professora de geografia que leva o próprio material de aula, pois a escola também carece de mapas e globo.
Fonte: JC on line.

3 comentários:

  • Anônimo says:
    6 de junho de 2010 13:04

    Quando que os professores vão se preocupar menos com o corporativismo da classe, lutar pela meritocracia e abrirem mão da estabilidade que coloca bons e ruins todos no mesmo balaio de gatos? Será que a maioria de vocês aceita passar por uma provinha básica sobre suas especialidades para serem avaliados quanto à capacidade técnica para ensinar? Será que a culpa do nosso baixo nível de ensino é culpa dos alunos ou desses pseudos professores saídos das nossas fábricas de mestres e doutores, titulados com teses compradas ou copiadas de livros já editados? Estou falando das nossas faculdades chamadas de primeira linha e não dos shoppings centers de cursos que inundam o nosso Brasil. Porque professores e pessoal ligados á área dda educação pública que vivem dizendo que são mal remunerados, mas não consomem o próprio produto, mas sim o produto da concorrência colocando seus filhos nas escolas particulares? Podem me explicar porque não confiam na própria competência e entregam os filhos para outros ensinarem? Esquisito não?
    Edson Vergilio - eavergilio@ig.com.br

  • Aqui na Cozinha says:
    6 de junho de 2010 13:48

    Augusto
    Obrigada por seu comentário, amei. Quanto a Alexandre, ele é um querido. Tá anotado as receitas p diabéticos, qualquer hora publico. Eu tb não abuso muito dos carboidratos, pois tenho pai, tios e avós diabéticos.
    Beijos
    Patty Martins

  • Albênia says:
    7 de junho de 2010 15:33

    A questão não está em acreditar ou não na compentência dos professores da rede. Porém, a estrutura física das nossas escolas, a falta de mnaterial para se desenvolver um bom trabalho, o descaso com o governo com os profissionais em educação, a falta de professores, entre outros fatores, desestimulam qualquer pai colocar seu filho numa escola pública. Para se ter idéia, fiquei 30 dias de licença-médica e a SEE/PE que tanto nos cobra os 200 dias letivos, sequer providenciou minha substituição. Quem irá reparar tal prejuízo?
    É o governo que negligencia com a sociedade,mas como a corda arrebenta sempre do lado mais fraco, é preferível condenar a categoria que, enxergar as arbitrariedades do governo, afinal, ele é o "patrão".

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